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FALTA DE TURISTAS DO PAIS VIZINHO ARGENTINA, É NOTADO NO LITORAL GAÚCHO

Benhur de Camargo, 49 anos, ambulante em Torres, diz que vendas caíram 60% com ausência dos argentinosTadeu Vilani / Agencia RBS

Onde estão os argentinos? Redução de turistas do país vizinho é notada no litoral norte gaúcho

Frequentadores assíduos do litoral gaúcho, os argentinos não estão lotando as praias do Rio Grande do Sul na atual temporada como em anos anteriores. No trânsito e nos estacionamentos à beira-mar, as tradicionais placas de carro azuis e pretas estão escassas, percepção reforçada no cancelamento de reservas por eles em hotéis. Em Capão da Canoa, a queda afetou mais de 30% do movimento em uma rede do centro da cidade.

— As empresas de lá traziam, semanalmente, argentinos para 25 dos 77 quartos que temos. Esse ano, foram canceladas as reservas, pois eles não têm condições de vir. Só um casal está hospedado agora — informa o gerente do Capão da Canoa Mar Hotel, Milto Monteiro.

— Tive que fazer pesquisas de preço e segurar o orçamento para garantir a viagem. Outros amigos meus desistiram de vir para cá, fica tudo caro, alimentação e hospedagem principalmente — explica.

A Playmotur, da província argentina de Entre Ríos, oferece viagens de ônibus do país vizinho para o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, incluídas as hospedagens. O gerente-geral da empresa, Pablo Aliberti, afirma que caiu pela metade a procura por viagens para esses destinos em comparação com o verão passado.

— Cancelamos pacotes para Capão da Canoa, Bombinhas e Camboriú. O único local que segue forte é Florianópolis, para quem tem mais poder aquisitivo — informa.

Responsável pelas reservas do Dunas Praia Hotel, que desde os anos 1970 recebe os hermanos em Torres, Fernando Cabreira comenta que nenhum argentino procurou o local neste ano. Cabreira trabalha há 30 anos no ramo hoteleiro e afirma ainda que “a redução vem acontecendo ano a ano”, mas reforça que, na temporada atual, “é muito mais drástica a queda dos visitantes argentinos”.

Esperança

Gaúcha que vive na Argentina desde 1998, Simone da Silva foi a única de um grupo de amigos que manteve a tradição de entrar o Ano-Novo na praia mais ao norte do Estado. Ela culpa a crise vivida no país como fator determinante para as dificuldades, o que afeta o poder de compra do peso.

— Nossa moeda (o peso) está muito desvalorizada. Em Buenos Aires, aluguei uma casa de dois quartos, com sala e antessala grandes, que aqui seria de luxo, ao equivalente a R$ 525 por mês. Com luz, água e condomínio. Onde eu estou aqui (num hotel de Torres), é o valor de uma diária — compara a empresária, de 51 anos, hospedada na praia dos Molhes.

O Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares do Litoral Norte (SHRBS-LN) confirma a timidez da presença do turista argentino nesse verão. Mas a presidente, Ivone Ferraz, pondera que os hermanos pegam a estrada após o Réveillon e acredita que os números podem até alcançar o patamar de 2019.

— Há 15 anos, vem reduzindo, e sim, temos bem poucas reservas agora. Mas no decorrer do verão eles virão, indo talvez para hotéis e pousadas um pouco mais econômicas — complementa, sem estimar um percentual de redução na procura.

Dona de hotéis no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, ela reforça que o perfil do argentino é de comer pouco em restaurantes e que, por este motivo, o impacto da falta de turistas estrangeiros nas praias gaúchas é pouco sentido pelo setor gastronômico.

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